História

Fundada por 33 praças, em agosto de 2001, a Aprasc deu voz

e conquistou dignidade à categoria 

    Dois soldos e meio somente para os oficiais. Esta decisão do governo de Esperidião Amin (PP), no final de 2000, caiu como aquela gota d'água num copo prestes a transbordar. Já naquele momento, alguns praças ousaram expressar sua revolta contra aquela demonstração de descaso e de discriminação. Vários tomaram atitudes desesperadas. Mas, foi em 2001 que os arroubos de desespero isolados de praças pelos salários de fome, jornadas extenuantes e humilhações a que eram submetidos, foram substituídos por uma organização representativa, fundada por 33 praças no dia 25 de agosto, em assembleia realizada no auditório do Hospital Florianópolis.

    O desafio posto era construir uma entidade para representar os praças nos pleitos trabalhistas e judiciais que fosse além da representação corporativista, inserindo-se nas discussões e na elaboração das políticas de segurança pública enquanto direito social básico para o conjunto da sociedade, incluídos aí os praças.No dia 9

jota costa

de novembro daquele ano, foi realizada a primeira Assembleia Geral onde ocorreram as primeiras eleições da entidade, convocadas pelo primeiro número do jornal O Praça, entregue de mão em mão e, naqueles primeiros tempos, sob marcação cerrada dos oficiais. A Assembleia elegeu o sargento Amauri Soares para a presidência.

    Em 2015, 14 anos depois, a Aprasc contabiliza mais de 14.500 associados, proporcionalmente, a maior associação de trabalhadores de uma única categoria do país, e os avanços obtidos são sentidos no dia a dia dos praças e das instituições militares, com reflexos diretos no cotidiano da sociedade.

 

"Hoje, desfrutamos de mais liberdade dentro da nossa instituição, inclusive podendo sugerir, exercendo efetivamente a profissão. O praça tem alguma liberdade para divergir", afirma o fundador e ex-presidente, J.Costa, sargento da RR, que aparece na foto discursando durante o histórico movimento de 2008.

   Hoje, a Aprasc entra nos quartéis, conversa e filia praças em reuniões organizadas dentro das unidades da PM e do CBM, senta com o Comando e o Governo para discutir reivindicações e política de segurança pública, é reconhecida e dialoga com a sociedade; os órgãos de imprensa precisam ouvir a Aprasc para falar de segurança pública, porque entenderam que suas posições traduzem o "moral da tropa": as insatisfações, os problemas, as dificuldades para cumprir a missão de proteger a sociedade manifestada por quem faz a linha de frente da segurança, na medida em que os praças correspondem a mais de 90% do efetivo da PM e do BM. "A história das instituições militares no estado se divide entre antes e depois da Aprasc. As instituições se modernizaram por influência, por pressão, da nossa organização. E nós, conquistamos um pouco mais de cidadania e a responsabilidade e os desafios enquanto categoria, aumentam", enfatiza J.Costa.

 

                                             Clandestinos
 
   O processo de criação da Aprasc foi precedido por reuniões secretas e panfletagens clandestinas nos quartéis, realizadas por um grupo pequeno de praças. Dezessete dias antes da fundação, o grupo realizou a primeira manifestação pública de forma organizada, no dia 9 de agosto, onde um praça ousou pegar o microfone e reivindicar respeito, justiça salarial, plano de carreira e jornada de trabalho de 40 horas semanais para a categoria. "Foi a primeira vez que o Soares falou em público e que estendemos uma faixa com as reivindicações dos policiais e bombeiros militares", rememora outro integrante daquele grupo, ex-diretor, sargento da RR, Antônio Edilson Gomes de Medeiros (na foto, com Soares e J.Costa, no aniverário de 11 anos da Aprasc). Edilson era um dos poucos praças presentes naquele ato chamado pelos sindicatos de servidores públicos. Cerca de 30 praças, segundo ele, confirmaram presença na madrugada anterior, quando o grupo entregara um panfleto nos grandes quartéis. "Entre 5h e 7h do dia 7, nós entregamos nos grandes quartéis um folhetinho nosso e convidamos para o ato dos servidores. Depois, nos entocamos em nossas casas, porque tinha P2 fazendo campana na frente da minha casa e do Fortuna (subtenente Edson Fortuna, atual coordenador Jurídico), estavam de olho na gente direto. No dia 8, dormi fora de casa para escapar da vigilância", conta o deputado sargento Soares.

   O ponto de concentração da manifestação era o auditório da Catedral Metropolitana da capital, de onde sairiam todos juntos numa caminhada até a frente da antiga sede do Governo, na Praça Tancredo Neves. Para driblar a vigilância, cada um deles foi por caminhos diferentes até o local. "Ficamos na torre da Catedral até umas 15h, até que alguém nos dedurou e um oficial apareceu lá para tentar nos fazer desistir, ir para casa", relata Edilson. Ao invés disso, venderam-lhe uma camiseta confeccionada para a manifestação - por R$ 5,00 - e entregaram-lhe o panfleto. "E então, saímos em direção ao Palácio do Governo, carregando a faixa, que era enorme, éramos inexperientes e foi difícil para o Fortuna e o Zulmar segurarem (Edson Fortuna e Zulmar Vieira)", relembra Soares. Nela estavam impressas as reivindicações: os 2,5 soldos dos oficiais; fim das prisões administrativas; cumprimento da lei das horas extras, liberdade de expressão e de ir e vir. Naquele dia, Soares só não foi preso, inaugurando a série de privações de liberdade que lhe foram impostas em decorrência do movimento dos praças, porque seu comandante se negou a fazê-lo, pois era ligado ao PMDB, e o coronel que chefiava a Casa Militar e pediu a sua prisão, ao PP de Amin.

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